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Navalshore

Feira e Conferência da Indústria Marítima

18 a 20 de agosto de 2026
Rio de Janeiro
Das 13h às 20h

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Brasil mira retomada estratégica na construção de FPSOs com foco em conteúdo local e competitividade

Fonte: Portos e Navios / Danilo Oliveira


Estaleiros nacionais se mobilizam para atender à demanda crescente da Petrobras, enquanto enfrentam desafios estruturais, tecnológicos e financeiros no mercado global

O setor de construção naval brasileiro se prepara para uma nova fase de crescimento impulsionada pela demanda crescente por FPSOs (Unidades Flutuantes de Produção, Armazenamento e Transferência), sobretudo pela Petrobras. Segundo Arivaldo Rocha, presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), os estaleiros nacionais vêm mantendo um canal de diálogo com a estatal para alinhar capacidades e projetos. Apesar de atualmente produzirem menos módulos do que sua capacidade permite, os estaleiros estão mobilizados para ampliar sua atuação, apostando na qualificação de mão de obra e na retomada da competitividade no mercado offshore.

O principal desafio enfrentado pelos estaleiros brasileiros é recuperar o fôlego perdido nos últimos anos, quando a produção de UEPs no país foi praticamente paralisada e os contratos migraram para estaleiros estrangeiros, principalmente asiáticos. Essa desmobilização impactou diretamente a cadeia produtiva, exigindo agora um esforço coordenado para readquirir expertise, especialmente diante do aumento de escala e complexidade das novas plataformas. A capacitação da força de trabalho é vista como um ponto-chave nesse processo de reestruturação.

O conteúdo local segue como fator estratégico e estruturante para a indústria naval e offshore nacional. O Sinaval defende não apenas sua manutenção, mas o aumento gradual dos índices de nacionalização, desde que haja suporte ao desenvolvimento dos fornecedores internos. No entanto, o sindicato reconhece as limitações, como a inexistência de produção nacional de certos sistemas e componentes vitais, o que exige equilíbrio nas exigências regulatórias para não inviabilizar projetos.

Em termos de competitividade global, o Brasil ainda enfrenta entraves significativos. Apesar da expertise técnica conquistada em ciclos anteriores, o setor naval nacional lida com altos custos de produção e uma concentração de demanda em poucos grupos internacionais, que dificultam o ingresso em novos contratos. Além da tecnologia e da produtividade, fatores financeiros passaram a ter peso central na viabilidade dos projetos, o que torna a competição mais desafiadora.

Para reverter esse cenário, políticas públicas e incentivos industriais e financeiros são considerados essenciais. Estão em debate medidas que envolvem a ampliação do conteúdo local, linhas de crédito específicas e estímulos à inovação, com participação ativa do governo, empresas e trabalhadores. “Se não tivesse havido descontinuidade dessas construções no Brasil, hoje estaríamos em uma posição muito mais favorável”, pontuou Rocha. Ainda assim, ele acredita que o atual ambiente de diálogo pode ser o início de uma retomada sustentável da indústria naval brasileira.

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